O poder do significado pessoal

“O poder de um senso pessoal de significado para mudar a maneira como vivenciamos o trabalho, o relacionamento ou mesmo a vida não deve ser substimado. Victor Frankl, em seu livro pioneiro sobre os campos de concentração, The search for meaning, relata que a própria sobrevivência pode depender de buscar e encontrar significado. Nos campos, aqueles que conseguiram manter um senso de significado e propósito em seus sofrimentos foram mais capazes de sobreviver às privações e atrocidades de sua vida diária do que os outros para quem o sofrimento não tinha sentido.

O significado pode tornar-se uma questão muito prática para aqueles dentre nós que executam um trabalho difícil ou levam uma vida difícil. Significado é força. Algumas pessoas, com frequência, buscam sua força na competência. De fato, competência  e conhecimentos especializados estão entre as qualidades mais respeitadas na  nossa sociedade. Porém, por mais importantes que sejam, eles não são suficientes para nos sustentar plenamente.

Um grande psiquiatra italiano, Roberto Assagioli, escreveu uma parábola a respeito de uma entrevista com três operários de cantaria que contruíam uma catedral no século 14. O efeito de sua noção de significado pessoal sobre o modo como vivenciavam seu trabalho é o mesmo que o significado produzz em nós hoje. Quando ele pergunta ao primeiro operário o que está fazendo, o homem responde com amargura que está talhando pedras em formas de blocos que medem um pé de altura, um pé de comprimento e três quartos de pé de profundidade. Frustrado, ele descreve uma vida na qual tem feito isso invariavelmente e continuará fazendo até morrer. O segundo operário também está talhando a pedra em blocos, de um pé de altura, um pé de comprimento e três quartos de pé de profundidade, mas responde de um jeito um pouco diferente. Com afabilidade, diz ao entrevistador que está ganhando a vida para a sua querida família; graças a seu trabalho, seus filhos têm roupas e comida para crescer fortes, ele e sua esposa têm um lar que supriram com amor. Mas é a resposta do terceiro homem que nos faz refletir. Com voz jubilosa, ele nos fala sobre o privilégio de participar da construção daquela grandiosa catedral, tão forte que se manterá como um farol santo por mil anos.

O importante nesta parábola é que esses três operários qualificados estão executando a mesma tarefa fisica repetitva. Talhando pedras. Da mesma maneira. Encontrar significado em uma tarefa familiar muitas vezes nos permite ir além e descobrir na mais rotineira das tarefas um profundo senso de alegria e até mesmo de gratidão.”

Trecho retirado do livro Histórias que curam: conversas sábias ao pé do fogão, de Rachel Naomi Remen. Uma ótima dica de leitura!

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