Você sabe preparar um chá corretamente?

Na verdade, a palavra chá é utilizada de uma forma equivocada. O chá propriamente dito é o nome dado à bebida preparada a partir da erva chamada Camelia sinensis ou Thea sinensis, mais popularmente conhecida como chá verde. Porém, este nome foi popularmente associado à qualquer bebida feita com água fervente e ervas.

De qualquer forma, existem duas formas de se preparar o que chamamos de chá, de acordo com a parte usada da planta, por infusão ou por decocção.

A infusão é indicada para ervas aromáticas e outras plantas ou partes de estrutura frágil, como flores e folhas. Para se preparar uma infusão basta despejar água fervente sobre a quantidade de erva indicada. Cobrir a vasilha, deixar por 5 – 15 minutos e coar usando uma peneira.

A decocção é usada para as partes duras das plantas, tais como raízes, cascas e sementes. Para o seu preparo basta cobrir a quantidade determinada da erva com água fria, levar para ferver por 5 – 10 minutos e depois coar.

É bom lembrar que os chás só produzem efeitos terapêuticos apreciáveis se preparados corretamente e tomados com regularidade.

O ideal é não adoçar os chás medicinais, mas no caso de adoçá-los dar preferência ao mel.

A água utilizada na preparação dos chás deve ser mineral ou filtrada.

Não utilizar panelas ou utensílios de metal na preparação e armazenamentos das plantas medicinais também é importante. O ideal é utilizar utensílios de barro, louça, vidro ou esmalte, que conservam melhor as propriedades dos chás.

Nunca tome um chá mais de 24 horas depois de seu preparo, pois será iniciado o processo de fermentação, causando problemas gástricos ou intestinais.

Atenção: ervas secas são diferentes de ervas frescas (ou in natura). Ervas secas, por apresentarem menor quantidade de água, têm maior quantidade de princípios ativos.

Em geral, utiliza-se 1 colher (de sobremesa) da planta seca para 1 xícara de água ou 2 colheres (de sopa) da planta in natura para 1 xícara de água. Normalmente indica-se tomar 1 xícara de chá 3 vezes ao dia.

O tempo de tratamento, em geral, para doenças agudas é de 10 a 15 dias e para doenças crônicas de 30 dias.

Após o período de tratamento recomenda-se variar o chá usado por outro de valor medicinal semelhante, pois o nosso organismo tende a responder cada vez menos.

O horário também influência na eficácia do tratamento:

  • Chás usados como laxativos, calmantes ou sedativos devem ser tomados à noite.
  • Chás estimulantes do apetite são tomados 30 minutos antes das principais refeições.
  • Chás que agem como depurativos, diuréticos e vermífugos são tomados de manhã, se possível me jejum.
  • Chás que agem como anti-reumáticos, hepatoprotetores, neurotônicos, anti-piréticos e anti-tussígenos devem ser tomados nos intervalos das refeições.
  • Chás digestivos e anti-fermentativos devem ser tomados após as principais refeições.

As plantas medicinais precisam de cuidados específicos no cultivo, colheita, secagem e armazenamento para garantir a sua qualidade.

Tenha cuidado ao adquiri-las:

  • Verifique sua identidade e estado de conservação.
  • O ideal é conseguir uma farmácia ou fornecedor confiável.
  • Para melhor conservação dos chás mantê-los em embalagem original, protegidos da luz e umidade.
  • Plantas armazenadas por longos períodos perdem seus efeitos terapêuticos.
  • Utilize apenas plantas que você conhece bem. Nunca utilize plantas desconhecidas ou de identidade duvidosa.
  • Nunca colete ervas medicinais que cresçam à beira de rios ou lagoas poluídos, locais que possam ter recebido agrotóxico ou à beira de estradas, pois podem possuir substâncias tóxicas.

E para terminar é bom lembrar que algumas plantas são contra-indicadas ou podem causar efeitos colaterais se ingeridas.

Deve-se ter cuidados especiais com crianças, gestantes e idosos.

Não utilize plantas medicinais durante a gravidez, a não ser sob orientação de um profissional.

Procure um profissional caso tenha alguma dúvida.

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Fitoterapia

A fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pela utilização de plantas medicinais em suas diferentes formas (chás, tinturas, cápsulas, xaropes, banhos, compressas, pomadas, cremes, entre outras).

As plantas medicinais possuem princípios ativos responsáveis por seus efeitos. Na maioria das vezes, uma planta apresenta mais de um princípio ativo, o que lhe confere diversas propriedades medicinais. No entanto, geralmente, um grupo de substâncias ativas determina sua ação principal, de forma que uma planta medicinal, mesmo possuindo diversas propriedades, sempre apresentará uma que se sobressai.

Por esta razão, a indústria farmacêutica, percebeu que seria possível isolar estes ativos e fabricá-los em larga escala, dessa forma, surgiram muitos medicamentos conhecidos, como o ácido acetilsalicílico, ativo antiinflamatório e analgésico que foi isolado da casca da Salix alba (salgueiro).

A fitoterapia pode tratar inúmeras doenças, mas é especialmente eficaz no combate às mais simples e comuns, como insônia, ansiedade, gripes e resfriados, tosse, problemas digestivos, cólicas menstruais etc. No tratamento de doenças graves e/ou crônicas, a fitoterapia deve ser associada a outras terapêuticas, tanto para melhorar os seus próprios sintomas como para reduzir os efeitos colaterais. Pode ser utilizada, ainda, por qualquer pessoa para atingir um equilíbrio do organismo e evitar o surgimento de doenças.

Deve-se estar atento à qualidade e origem das plantas medicinais. O ideal é conseguir um fornecedor confiável ou comprar numa farmácia conceituada. A questão do preparo também deve ser levada em consideração.

Por fim, o uso indiscriminado de plantas no tratamento de doenças deve ser visto com mais atenção pelas pessoas. Plantas aparentemente inofensivas e utilizadas como medicamento são comprovadamente perigosas dependendo da forma com que são administradas. Em caso de dúvida, procure a ajuda de um profissional.