Plantas Medicinais na Gestação e Amamentação: pode?

Por Fernanda Fock, Naturóloga e Acupunturista

Estima-se atualmente que cerca de 80% da população mundial confia no tratamento com plantas medicinais para tratamento e cura de algum tipo de doença. O tratamento à base plantas medicinais de está crescendo a cada dia no Brasil. Cerca de 2.000 produtos fitoterápicos com efeitos reconhecidos são utilizados em tratamentos no nosso país e a facilidade do acesso aos remédios fitoterápicos possibilita que muitas mulheres procurem o uso de chás e compostos naturais para tratar determinados sintomas do cotidiano. A ideia de que a Fitoterapia é “natural” faz com que muitos criem a noção de que não traz malefícios, porém o uso indiscriminado dos fitoterápicos pode sim acarretar danos à saúde.

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Os fitoterápicos, sob suas diversas formas, são também muito utilizados por mulheres em idade fértil, grávidas ou na fase da amamentação e em sua maioria por uso popular, ou seja, sem prévia avaliação de um profissional da área da saúde. O princípio básico da indicação de fitoterápicos para gestantes e mães lactantes baseia-se, sobretudo, no risco versus benefício e este, só um profissional capacitado poderá avaliar, seja o médico, naturólogo, nutricionista ou farmacêutico.

No Rio de Janeiro, o Proplam – Programa de Plantas Medicinais da Secretaria Estadual de Saúde – publicou uma resolução em fevereiro de 2002, com o objetivo de orientar quanto ao potencial tóxico, teratogênico e abortivo de diversas espécies vegetais. Neste documento foi relatado um amplo levantamento bibliográfico sobre 103 espécies medicinais com o objetivo de esclarecer a população e aos profissionais de saúde sobre o uso indiscriminado e ação na gravidez e lactação. Entre as espécies listadas estão inclusive as mais comumente utilizadas em infusões como Camomila, Melissa, Erva-doce, Boldo, contraindicadas com justificativa de efeito abortivo.

E assim como no período gestacional, durante o aleitamento materno também devem ser tomados cuidados em relação ao uso de plantas medicinais, pois podem provocar gosto desagradável no leite materno, causando rejeição e até causar danos à saúde do lactente.

O maior motivo da não recomendação indiscriminada de fitoterápicos para gestantes e nutrizes é porque são poucos os estudos científicos a respeito do consumo destes remédios durante a gravidez e lactação e, portanto não há como fixar uma dosagem-limite segura para seu uso, exceto quando condições específicas existirem e assim sendo, estas devem ser acompanhadas pelo profissional de saúde. Outro ponto levantando é o risco provocado à saúde de contaminantes ambientais como agrotóxicos, ricos em metais pesados.

No entanto, com relação aos vários condimentos utilizados culinária, tais como alecrim, tomilho, sálvia, orégano, hortelã-pimenta, manjerona e manjericão, não há com que seu preocupar, nas pequenas quantidades usadas durante o preparo dos alimentos não representam riscos.

Faça o download da relação das plantas medicinais contraindicadas na gestação e lactação.

Fonte: Se as mães soubessem.

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Boldo-do-Chile

Nome científico: Peumus boldus

Parte utilizada: Folhas

Muitos acreditam, erroneamente, que possuem no quintal o Boldo-do-Chile (Peumus boldus). Entretanto, essa planta é raríssima no Brasil. A confusão deve-se ao fato de que outras plantas também são chamadas de Boldo, como o Boldo-da-terra (Coleus barbatus ou Plectranthus barbatus) mais facilmente encontradas nos quintais, e o Boldo-baiano ou falso Boldo (Vernonia condensada). Menos comuns ainda são o Boldo-miúdo ou Boldo-português e o Boldo-chinês.

Originário do Chile e do Peru, o Boldo-do-Chile foi naturalizado nas regiões montanhosas mediterrâneas e na costa oeste dos Estados Unidos. Arbusto frondoso, pequeno e elegante, o Boldo-do-Chile é pertecente à família das Monimiaceas, atingindo altura máxima de 6 metros. Possui gosto amargo e seu cheiro lembra a cânfora e a hortelã.

O Boldo-do-Chile era utilizado pelas comunidades indígenas dos Andes Chilenos, que a aplicavam em casos de luxações e dores reumáticas. Seu nome é uma homenagem ao botânico espanhol D. Boldo. Arqueólogos acharam evidências do uso de 22 plantas medicinais, entre elas, o Boldo, em um sítio arqueológico no Chile, na área de Monte Verde, datado de 12.500 anos. Exploradores da América do Sul observaram que os nativos usavam as folhas desta planta na culinária, assim como agente carminativo, para o tratamento da gota, das desordens do fígado, da bexiga e da próstata. Em 1875, o Boldo-do-Chile passou a ser empregado pelos farmacêuticos britânicos e americanos para o tratamento de disfunções do estômago, fígado e bexiga, bem como sedativo leve.

O Boldo-do-Chile (Peumus boldus) contém alcalóides, óleo volátil, flavonóides, resina, taninos e glicolipídeos. Estudos científicos comprovaram que a boldina, o mais importante alcalóide da planta, é um dos principais responsáveis pela eficácia das propriedades hepatoprotetoras e coleréticas.

Possui ação hepatoprotetora, aperitiva, digestiva, levemente laxante, colerética (estimula a produção da bile pelo fígado) e colagoga (estimula a secreção da bile pela vesícula biliar), dobra a secreção biliar e fluidifica a bile. As preparações de Boldo-do-Chile ativam a secreção salivar e gástrica.

O Boldo-do-Chile é contra-indicado em casos de obstrução das vias biliares. Também não deve ser utilizado em crianças, gestantes ou lactantes.